Quinta-feira, Julho 28, 2005

Picles do cotidiano

Vais para a Europa e, principalmente, a Inglaterra? Favor ir nu com a mão no bolso. Deixe a mochila em casa...

Vais pegar um vôo qualquer em fronteiras brasileiras? Nada de mala. Ah, usar cueca também não é recomendável.

Sabe o policial da Scotland Yard que matou o eletricista brasileiro Jean Charles? Pois é, recebeu férias com tudo pago. Periga ser promovido quando voltar do descanso.

Melhor programa sádico-humorístico? A CPMI dos Correios, sem dúvida.

Melhores personagens? O filho de peixe, ACM Neto; a histriônica Heloísa Helena; o emergente Eduardo Paes, a Amélia Renilda Valério.

Alô, alô, editores da revista Playboy: nada de contratar a baranga Karina Somaggio. Que tal desnudar a bela Renilda Valério?

Aliás, virou moda ter um tal de Land Rover? Pergunta por Silvio Pereira e pra Renilda.

Renilda levou a sério aquela história do "Promete respeitá-lo, amá-lo e confiar nele até que a morte os separe". Só assim pra assinar uma procuração e não estar nem aí para as falcatruas de seu marido, o Valério Cabeça-de-Ovo...

Perdão, leitores, a Amélia de Mário Lago não merece ser metida nesta história.

Quinta-feira, Julho 14, 2005

Faça o que tu queres com a mulher russa

Terça-feira, Julho 12, 2005

Fui ao Porão do Rock... e daí?

ROBig C 2K



- ... E daí que fiquei impressionado com a cara-de-pau dos organizadores do evento de espalharem aos quatro cantos que o Porão do Rock “é o maior festival de rock independente do País”...
- Como pode o Porão ser “o maior festival de rock independente do País” se cobra R$ 20 pela meia-entrada?
- Como pode o Porão ser “o maior festival de rock independente do País” se cobra R$ 20 pela meia-entrada e ainda exige 2kg de alimento não-perecível?
- Como pode o Porão ser “o maior festival de rock independente do País” se é patrocinado pela Skol, BRB, Condor e Governo Federal, além de outras “empresas”
- Como pode o Porão ser “o maior festival de rock independente do País” se além destes patrocinadores, tem uma pancada de “apoiadores”?
- Bem, mas fui ao festival e vi um monte de coisas dignas de nota, a saber:
- Vi o Pato Fu, bandinha legal, engraçadinha, fofinha e que não faz mal a ninguém, lançar o disco novo.
- Ok, Fernandinha Takai disse que só tocaria “Pinga” no dia em que os Loser Manos voltassem a cantar “Ana Júlia”. Ok, Loser Manos, fiquem quietos. Ah, Fernanda, apesar de você não querer, pinga foi o que não faltou para espantar o frio de menos de 10 graus no estacionamento do Mané Garrincha...
- Ah, e os Loser Manos fizeram um show sem concessões. E os barbudos nem tocaram “Ana Júlia”...
- Sucesso mesmo quem fez foi a baiana Pitty, mocinha guerreira e cheia de atitude e energia, que colocou a turma para pular e cantar junto os velhos sucessos de seu álbum de estréia, “Admirável Mundo Novo”. Uma delícia em todos os sentidos.
- Como delicioso foi o show do Barão Vermelho. Veteranos, eles fizeram questão de passear pelos sucessos populares de mais de 20 anos de carreira. Tiro certo para animar a turma em um show curto. Roberto Frejat mostrou competência e fez um bom trabalho mesmo para aqueles que não são fãs de carteirinha da banda.
- Mais dificuldade tiveram aqueles que queriam conhecer a banda F.Ur.T.O (a tal Frente Urbana de Trabalhos Organizados). Se o instrumental ainda é meio confuso, se o discurso é político demais (mesmo para os brasilienses acostumados à Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude) e se Marcelo Yuka tem uma rebeldia que beira a histeria, o público estranha. Ponto para o cara, vítima da violência urbana, que parece ter raiva de tudo e de todos, pelo menos, na hora de pedir um minuto de silêncio pelo fim da ética na política. Bem, o tal minuto virou dez segundos e quem disse que, um dia, a política teve ética.
- De resto, o de sempre: shows legais de bandinhas novatas (Pelébroi Não Sei, Luxúria, Móveis Coloniais de Acaju); show bacanas de veteranos, como Supla e Plebe Rude e shows marromenos de Dillo D’Araújo, Violins e Radical Sem Dó, entre outros menos cotados.
- Ah, o público? Bateu perna para vencer o frio, transou em barracas para vencer o frio, tomou todas para vencer o frio, se enrolou em edredons para vencer o frio, se balançou na tenda eletrônica para vencer o frio e, no fim, conseguiu vencer o frio.
- E só. Pelo menos que eu me lembre agora...

Quinta-feira, Julho 07, 2005

A guerra dos mundos e o mundo em guerra




As chocantes cenas de ingleses, feridos e maltrapilhos, marcados por sangue, carregando suas mochilas, com olhares assustados pelas empoeiradas e sangrentas ruas londrinas, após mais um atentado terrorista, neste 7 de julho de 2005, estão, perigosamente, se transformando em cenas familiares. Feito o 11 de Setembro de Nova York, ou o 11 de Março de Madrid, o 7 de Julho de Londres entra para a história como uma prova cabal da estupidez humana.

Atos terroristas que ceifam a vida de dezenas, centenas, milhares de seres humanos, que destróem patrimônios, que demonstram nossa clara fragilidade, porém, têm suas várias razões de ser. À primeira vista, a mais clara dessas razões é a insatisfação dos terroristas com o modo vigente de como caminha a civilização (?!), principalmente o modo como os chamados países do Primeiro Mundo - notadamente aqueles que formam o G-8, grupo dos sete países mais capitalistas e potentes do globo (Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Japão, França, Itália e Inglaterra) mais a Rússia - tentam comandar a agricultura, a política, a economia global. O modo como esses países tentam comandar a produção, a religião, a cultura, a vontade, o modo de vida das outras nações.

A postura de eternos colonizadores, em pleno século 21, parece incomodar, radicalmente, integrantes de grupos como o ETA, IRA, Jihad Islãmica e, notoriamente, a Al- Qaeda do milionário saudita Osama Bin Laden, que agem mais radicalmente ainda. Em nome de uma pretensa fé, fazem uma espécie de lavagem cerebral em seus militantes e criam verdadeiras cobaias humanas metamorfoseadas em suicidas homens-bomba. Vítimas inocentes - perdidas no World Trade Center ou nos metrôs e ônibus de Madrid e Londres - são consideradas meros "efeitos colaterais" na disposição em praticar a "missão" de combater o inimigo.

Assim, eles produzem cenas que, infelizmente, estamos nos acostumando a ver, como um tipo de diáspora praticada pelos cidadãos desesperados em busca de um lugar seguro, qualquer um, que seja. As cenas, coincidentemente, nos remetem a mais nova aventura cinematográfica dos astros hollywoodianos Steven Spielberg e Tom Cruise. Falo de "Guerra dos Mundos", transposição para a película de um dos clássicos da literatura originados da mente do inquieto e crítico H. G. Wells, escritor nascido no século 19.

A criação original de H. G. Wells fazia uma crítica à fúria colonizadora do Império Britânico e ao estrago que essa fúria produzia no mundo "não-civilizado" de então, a África, a Ásia, a América. Em meados da década de 1930, o clássico transformou-se em paranóia quando outro gênio, Orson Welles (sem parentesco sangüíneo com o escritor da obra original), resolveu transmitir pelo rádio uma eventual invasão da Terra por seres de outro planeta. Inocentes, pessoas pegaram o que puderam e saíram pelas ruas em busca da salvação frente a um inimigo ao mesmo tempo mortal e desconhecido.

Anos depois, em 1953, a primeira filmagem do clássico agagewelliano, feita pelo cineasta Georges Pal, teve uma crítica conotação política. Afinal, explica-se, eram tempos em que se vivia, na Guerra Fria, o cotidiano medo de morrer. Quem sabe a União Soviética não invadiria os Estados Unidos ou outros países capitalistas? Quem sabe os Estados Unidos não invadiriam a União Soviética e, por tabela, outros países comunistas? Os seres de outro mundo significavam, infelizmente, pessoas de outros países, alguns vizinhos, ao mesmo tempo fronteiriços e distantes, em um mundo ainda não globalizado.

Algo que não ocorre com o produto de Spielberg e Cruise, blockbuster nas telas de todo o mundo. Feito ervas daninhas plantadas em nosso solo gentil, os invasores resolvem tomar conta do planeta e exterminar a raça humana. Mais desenvolvidos e poderosos, atacam de surpresa - feito os terroristas de Nova York, Madrid, Londres e Bagdá - e não possibilitam a defesa. Fracos, resta aos terráqueos fugir. Para onde, não se sabe. Feito os ingleses que catavam o que podiam e pegavam a estrada, os personagens de um filme cada vez mais real em nossas vida partem em busca do desconhecido, porque a morte, o sangue, a dor que deixam para trás está, como escrevi algumas linhas atrás, ficando perigosamente familiar. E ninguém, nem de longe, a quer por perto.

Quarta-feira, Julho 06, 2005

O pesadelo dos Silva

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Ah, quase ia esquecendo... vi, dia desses, as agruras dos Silva.

Sim, eles lutavam para escapar de traidores, delatores e gente que traía a vossa (deles) confiança. Pior, de pessoas que conviviam em seu restrito círculo de amigos. Pobres Silva. Foram traídos por aqueles em que mais confiavam, foram pegos com a boca na botija, foram roubados. Ficaram irados, juraram vingança e justiça.

Mas, no fim, perceberam que ela difícil cortar sangue da própria carne, fazer justiça com as próprias mãos, colocar as coisas em ordem novamente. Algo quase impossível diante dos acontecimentos dos últimos dias.

Não, não falo dos Silva que habitam o Palácio do Planalto, que fizeram um jardim com a estrela vermelha do Partido dos Trabalhadores em um bem público, que promoveram um acintoso arraial em meio à esbórnia em que vive o País, que a cada dia, estão mais cabisbaixos e cheios de metáforas.

Não, nada disso. Falo apenas e tão-somente do blockbuster Mr. And Mrs. Smith (sim, Silva em bom e velho português lusitano), estrelado por um dos casais da moda (pelo menos até a próxima traição de um, de outro, de ambos), Angelina Jolie e Brad Pitt.

Sorte deles (Jolie e Pitt) que se tratam de super-heróis. Azar de Luiz Inácio e Dona Marisa, gente como a gente. Gente que erra e que tem a obrigação de não permanecer no erro, apesar de chafurdados nele. Erguer-se, feito o casal dourado de Hollywood conseguiu na película, é preciso. Ainda dá tempo, afinal o filme da vida real ainda não chegou ao seu The End. Ainda.

Quarta-feira, Junho 29, 2005

Calvin, o gênio





"Na minha opinião, nós não desenvolvemos pesquisas científicas suficientes para encontrar a cura para os idiotas."

"Você não aprecia a vida totalmente até que você se arrisca a perdê-la."

"Se você se preocupa, você só se desaponta o tempo todo. Se você não se preocupa, nada importa, então você nunca se perturba."

"A felicidade está ficando famosa pela sua habilidade em se viciar em todo tipo de excesso."

"A vida é como topografia, Haroldo. Há picos de felicidades e sucessos... pequenos campos de da chata rotina... e vales de frustrações e fracassos..."

"Os melhores presentes não vêm em caixas."

"Os desapontamentos da vida são mais difíceis de encarar quando você não conhece nenhum palavrão."

"Se você não praticar esportes, você não têm a mínima chance de fazer comerciais de cerveja."

"Nada ajuda um mau humor como espalhá-lo."

"É difícil ser religioso quando certas pessoas nunca são incineradas por relâmpagos."

Terça-feira, Maio 24, 2005

Celebridades instantâneas



Texto fraco, cenário idem, interpretações ibidem. Assim foi a apresentação do "espetáculo teatral" As Filhas da Mãe, com a ex-big brother 4, Juliana Lopes, no Teatro dos Bancários, em Brasília, no último fim de semana. A siliconada esnobe mostrou que pouco valeram as aulas de interpretação teatral que tomou após sair do reality show. E, enquanto as pessoas deixavam, constrangidas, a sala, ela via, junto, esvairem-se os seus parcos 15 minutos de fama. Pelo menos até a próxima vez que posar nua para uma revista masculina de quinta categoria...



Enquanto isso, mundos e fundos caíam sobre a pernambucana Pink, também no último fim de semana, quando a ex-cabeleireira e dublê de humorista e celebridade instantânea, passeou parcos cinco minutos na Feira do Empreendedor, promovida pelo Sebrae, no Parque da Cidade. Magra, mirrada, maquiada e sendo carregada em um carrinho de golfe, a dita cuja causou furou, atropelamentos, fugas, gritos, delírios, pedidos de fotos, o diabaquatro. Eu, hein?! E, de quebra, faturou alguns milhares de reais em sua aparição relâmpago. Não abriu a boca, não disse a que veio, não fez nada.

Vá entender o povo de Deus, meu Deus...

Sexta-feira, Maio 20, 2005

Anos 80



Comprei o DVD da TV Pirata. Pirata, é claro. Para os infiéis de memória fraca, lembro que o programa foi uma espécie de embrião da turma casseta na TV, nos bombados (pelo menos hoje) anos 80, e fez história por fazer um humor ácido e contemporâneo, praticamente sem concessões, muito embora fosse locado na tal Vênus Platinada. Pois é, comprei o DVD junto ao meu, digamos, fornecedor que sempre me avisa quando da chegada de um "lançamento". Não me arrependi. Muito pelo contrário. Cheguei do trabalho tipo meia-noite e coloquei o bicho pra rodar. Tinha que testar rápido, claro. E quem disse que fui dormir antes das três da madruga? Nem eu, nem você, nem ninguém disse. Fiquei ali, como que envolvido por uma máquina do tempo (oh, H.G.Wells, porque teu sonho não se transforma em realidade?), a curtir os sketches e cenas do programa que fez a fama de gente como Guilherme Karam,Diogo Vilela, Cláudia Raia, Debora Bloch, Marco Nanini, Pedro Paulo Rangel e Ney Latorraca, entre outros. E me diverti com o Zeca Bordoada, da TV Macho; com o Tonhão, típica presidiária lésbica; com a repórter Catarina, no melhor estilo Gil Gomes e Aqui e Agora; com o Barbosa (foto), claro. Certinho da Silva e com uma boa cópia, o DVD me deu muito mais prazer do que dor ao custar meros R$ 8 no câmbio negro (perdão, autores da cartilha politicamente correta divulgada pelo governo federal, dia desses). E me fez chegar a uma conclusão definitiva quanto à qualidade do programa. Não, a TV Pirata não é superestimada simplesmente quando comparada aos produtos culturais criados atualmente pela televisão. Nada disso. Ela era boa mesmo. E está cada vez melhor. Apenas recomendo doses homeopáticas ao assisti-la. No outro dia, foi duro trabalhar...

Segunda-feira, Maio 09, 2005

"Acabo de comprar uma TV a cabo, acabo..."



The O.C. é um Barrados no Baile com temas mais maduros. American Idol é divertido e sádico, um Fama que dá certo. CSI qualquer coisas (Nova York, Las Vegas e Miami) é instigante. Lost é perturbador. Friends está ali, pronto para ser (re) visto). O E! é para fofoqueiros de plantão. O melhor da MTV, além do Gordo a go-go, são as vinhetas. Nada supera os manés do Pânico na TV. Às segundas à noite, se queres baixaria... João Kléber, na RedeTV. Se não queres baixaria, a Canção Nova. No mais, "esportes" como golfe e pôquer. Depois, falo de cada programa. Ou não.

Quinta-feira, Abril 28, 2005

Ah, minha Brasília querida!



E pensar que tudo começou com uma provocação no meio do cerrado, ali na pequenina Jataí (GO), quando o singelo e sincero Toniquinho perguntou ao então candidato JK se ele traria a capital para cá. Pois JK prometeu e cumpriu. E trouxe a capital para o meio dessa terra virgem. E com o sonho do mineiro, vieram goianos, maranhenses, fluminenses, paulistas, paraibanos, baianos, gaúchos e, claro, mais mineiros. E entre o pó e a pá, entre muito trabalho e pouco descanso, entre a vontade de vencer e a vontade de ver crescer o concreto, esses candangos ajudaram a criar a cidade. Ajudaram a tornar realidade os "rabiscos" de Oscar Niemeyer, os projetos de Lúcio Costa, o sonho progressista no melhor estilo "50 anos em 5" do presidente que não teve medo de trazer o desenvolvimento para o Planalto Central. Sim, esses candangos criaram uma ligação tão grande com a cidade que contrariaram os planos e as expectativas de governantes e urbanistas e preferiram ficar aqui e plantar raízes na terra vermelha do que voltar para seus lares de origem. Eis, então, que montaram acampamento na Vila Planalto, na Candangolândia, no Núcleo Bandeirante. Eis que ajudaram a fundar Ceilândia, Taguatinga e tantas outras cidades que formam uma espécie de cinturão ao redor dessa Brasília tão amada, Patrimônio da Humanidade. E aqui eles ficaram e trabalharam e construíram família e criaram filhos e, hoje, passam o tempo com netos. Sempre sorrindo e bendizendo a Deus pela escolha feita. Pioneira ou não, essa gente ama Brasília de verdade. Ama a cidade que é injustamente acusada de não ter esquinas, de ser fria e calculista, de queimar narizes em tempo de seca, de não ter opções de diversão, de não dar chance a quem vem de fora, com o sonho, igual ao sonho dos primeiros candangos, de fazer a vida por essas bandas. Pois esses, os críticos mal-amados (ao contrário da bem-amada Brasília) estão redonda e cartesianamente enganados. Afinal, como não amar essa cidade que tem um céu de beleza ímpar, uma arquitetura tão arrojada que dá gosto, verdes gramados por todos os cantos, feiras cuja gente se encontra e se sente em casa? Como não amar essa Brasília cujo trânsito respeita o pedestre e em cujas ruas (sim, infiéis, Brasília tem ruas), evita-se buzinar? Como não amar Brasília e se derreter de orgulho por uma terra que é como se fosse nossa, que é como se fosse nossa, que é nossa, enfim? Não há como. E é por isso que tanta gente por aí, dentro e ao redor dessa cidade em forma de avião, não tem medo de abrir o seu coração, hoje e sempre, pra dizer, sinceramente... "Sim, eu amo Brasília". Por isso, por isso e por isso. E por muito mais.

Segunda-feira, Abril 11, 2005

fim da linha



Abro o PC de sopetão, como quem não quer nada, como quem espera, amarga ilusão, a inspiração brotar de dentro de minhas entranhas, no fim da linha. Vou escrevendo o que der na telha, vou tecendo minha teia sem pensar em nada específico, não construo pré-moldados. Uma a uma, as letras vão surgindo. Um A, um B, um Z, cada um na sua hora, resistem. Feito tijolos em muros de Berlim, no final da finada década de 1980, feito trilhos que levam o trem das 11 a algum lugar na hora desmarcada... Boas lembranças. Continuo. Não sei se falo dos meus amores, das putas de Paris, das putas que paris. Das dores da lordose, artrose ou, de ambas, a simbiose. Das faltas que sofro no futebol, da falta que ela me faz sempre que não está me abraçando docemente, me quebrando em dois, me fazendo um. Escrevo de sopetão sobre o nada, a falta de inspiração, a lentidão da locomotiva da minha vida (aonde ela vai dar. O texto, assim mesmo, teima em sair, vomitado, grunhido, parido, fortuito. É único, é meu, é Deus. A ele, ao texto, me dobro e redrobo. Me curvo, faço curvas, não vou direto ao ponto, não paro em nenhuma estação. O texto não é jornalístico, é ateu. O texto é meu. Tomo que o texto é meu.

Quinta-feira, Abril 07, 2005

Mundo, vasto mundo



Numa cama de hospital acima da linha do Equador, eis que Terri Schiavo dá adeus ao mundo. A guria foi assassinada (não importam os motivos, importam?) por inanição, fome, sede, sei lá. Falência múltipla de órgãos. No mesmo hemisfério, porém em outro continente, Karol Wotjila também deu adeus a esse mundo de Deus de maneira serena, por conta própria. Nada de voltar ao hospital – ironicamente com o nome de Gemelli –, ser entubado e medicado. Por mais que tais medidas esticassem um pouco mais o seu (do Papa) prazo de validade aqui na Terra. Não, Karol achou que havia chegado a sua (dele) hora. Da mesma forma que o marido de Terri decidiu que ela deveria, enfim, morrer. Assunto complicado, não, essa tal de eutanásia? Tão complicado que, década ou outra, se transforma em sobremesa suculenta para a sociedade e a mídia em geral. Algo capaz de provocar reações exarcebadas de parte a parte. Quem tem o poder de decidir quem deve morrer? O homem é sobrehumano? O homem é Deus (e, nesse ponto, me refiro especificamente ao Deus do mundo cristão, não pagão)? Difícil. Assim como é difícil se colocar na posição de uma família que sofre com um inválido, assim como é difícil entender a dor de quem não consegue se alimentar direito, assim como quem defende o aborto indiscriminado, assim como alguém que quer decidir pelos outros algo que só compete aos outros. Eu, do alto de minha humilde importância na existência do globo terrestre, acredito que o homem não é Deus. Não mesmo. E para bom entendedor essa frase basta, certo? Bem, quanto à eutanásia (do grego "morte serena", mas, também, do grego, "prática, sem amparo legal, pela qual se busca abreviar a vida de um doente") defendo sua discussão. Não cabe a mim julgar o sofrimento daqueles que têm por dever amparar a vida de um ser inválido até o último suspiro. Só não se pode, é claro, tornar essa prática algo comum, banal, boçal. A propósito, há dois filmes em cartaz que, de maneiras diferentes, abordam o tema. Se em "Mar Adentro" (do talentoso diretor espanhol Alejandro Amenabar), o forte protagonista quer partir desta para uma melhor, de maneira engajada, justamente por estar há tempos insatisfeito com sua sobrevida, em "Menina de Ouro", a faceta é de uma frágil menina que sucumbe à paralisia e amputação de um de seus membros e se vê sem forças para encarar a vida que ainda lhe é capaz de oferecer muitas experiências. Ao fundo, a amarga sombra da frustração. E a possibilidade seculovinteeumana da eutanásia, do desligamento dos aparelhos, do entupimento do tubo de oxigênio, da morte por insistência e insensibilidade. Mesmo que, apesar de tudo, haja sempre a esperança do corpo do doente reagir aos medicamentos da medicina moderna. Ou, em último caso, de um milagre. Milagres acontecem, sabiam? Cada um na sua hora...

Segunda-feira, Março 28, 2005

Severino Xique-Xique



Severino Cavalcanti se acha. Se acha a mais formosa rosca com cobertura de coco da padaria. Se acha o último bote salva-vidas do Titanic. Se acha o descobridor dos sete mares. O dono do mundo. O cara que pegou a Cicarelli (e aí, ela está grávida ou não? consumou o golpe ou não?). O pote no final do arco-íris. Ou, para utilizar a mais clichês das comparações, a bala que matou Kennedy (ou Lennon, sei lá). Só isso para explicar tamanha petulância e insensatez em tão pouco tempo de reinado na Câmara dos Deputados. Um "poder", aliás, que lhe caiu no colo, assim, sem mais nem menos. Culpa, claro, de mais uma briguinha interna e inconseqüente dos senhores deputados petistas que, feito adolescentes imberbes e rebeldes sem causa, morreram em uma típica guerrilha fratricida. Só isso para explicar a cara de pau de Vossa Senhoria, o tal Severino, ao querer aumentar, ainda mais, o salário dos deputados – mesmo contra o apelo popular; ao conseguir a ampliação do valor da "verba de gabinete" desses políticos; ao chantagear o presidente da República, exigindo cargos para seus cupinchas na Esplanada; ao, mais uma vez contrário ao Governo Lula (de quem ele diz ser aliado), insistir em colocar à votação e à revelia a MP 232 – aquela que, entre outra cositas más, reajusta os impostos e corrige a tabela do Imposto de Renda (ou seria o contrário?). Feito um Dom Quixote do Mal, nada louco e muito mal intencionado, esse Severino (lembrem, ele é do PP, partido mais-que-facista que ainda tem entre seus quadros alguém chamado Maluf, Paulo Maluf), nascido em João Alfredo (PE), mostrou, em pouquíssimo tempo, a que veio. E ao quê a figuraça veio? Simplesmente para demonstrar que o coronelismo, o clientelismo, o narcisismo, o proselitismo e o nepotismo não foram exterminados da política tupiniquim. Muito pelo contrário, aliás. Estes "ismos" estão vivíssimos da Silva. Feito uma das sete pragas do Egito, embora, adquiram um viés cada vez mais moderno em pleno século 21. Algo que só temos a lamentar.

Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005

Eu me rendo...





Ok, ok, boa parte dos seres que se dizem humanos e acessam a internet (ou lêem livros ou assistem à TV) se julga intelectual. A outra parte é pop. Não importando quem é uma coisa e quem é outra a verdade é que todos – sim, eu escrevi "todos" – já ouviram falar da revoada de reality shows que toma conta da mídia televisiva mundial nos últimos anos. Mas, principalmente, já ouviram falar, já comentaram, já reclamaram, já assistiram... ao Big Brother Brasil. Sim, aquele programa que todos amam odiar, mas que ninguém consegue ficar indiferente. Sim, é do BBB5 (abreviação do dito cujo para os íntimos) que vou tratar aqui, nessas poucas – e escritas de sopetão, num respiro só – linhas. Vejamos... Foram escolhidas 12 pessoas a partir de fitas e indicações de olheiros para a quinta versão do programa. Mais dois entraram por sorteio. Um deles, uma coroa sem papas na língua, saiu do horário nobre da TV após ter um derrame isquêmico. Mais 3 foram expulsos nos indefectíveis paredóns. Restaram 11. Uma turma que, surpreendentemente, desde cedo, já disse a que veio na luta pelo prêmio de R$ 1 milhão. Complôs, intrigas, fofocas, xingamentos, armações, preconceitos, desrespeito aos seus pares, ganância, sacanagens e afins. Vale tudo na luta para expulsar o semelhante da casa. Assim, um grupo maligno de 7 pessoas tenta, a todo o custo, expulsar um grupo bonzinho de 4 colegas amados pelos internautas e telespectadores. A nós, povo pop, cabe ficar assistindo (ou não, como diria Caetano) e torcer (ou não, repito) por um ou outro indivíduo (o professor baiano e homossexual, a manicure pernambucana, a miss paranaense, o japa paulistano). Quanto aos intelectuais – que criticam a mesmice na programação televisiva, o rebaixamento do Homem enquanto ser dominante na Terra, a desnecessária discussão sobre os maus costumes, a burrice que pretensamente impera em uma atração do gênero – cabe fingir que não é com eles, que o reality show não é nada mais do que a prova irrefutável da degradação da humanidade, metamorfoseada em ratos de laboratório e observada por um júri inapelável. Resta a eles, intelectuais, dizer "não" a algo cuja maioria prefere dizer "sim", ao mesmo tempo em que torce pela vitória de um desses "ratos brancos". Uma torcida parecida com aquela pelo time de coração, por um final feliz na novela, pela promoção de um parente no serviço, para acertar os números da megasena, por algo dar certo para alguém...

Mas... peraí... a voz do povo não é a voz de Deus?

(putz, acho que esse último argumento não vale... a maioria dos pretensos intelectuais é ateu ou agnóstico...)

Quarta-feira, Janeiro 26, 2005

Uma tarde no shopping...



Sábado passado, mulher viajando, amigos distantes, sem nada o que ver na TV, resolvi bater pernas no shopping. Me perdi entre os preços empirestatebuildingnianos de CDs e DVDs da nação Fnac, mas me achei fora dela. Me entreguei ao capitalismo recheado de colesterol da promoção supersizeme do MacDonald´s e fui, enfim, ler as orelhas dos livros na Siciliano. Livros-reportagem, livros-fofoca, livros-clichê. Gente, pensei, como se derruba árvore à toa no mundo. Enquanto as clareiras se multiplicam na Amazônia de Tainá I e II, um espaço vazio também toma conta de nossas mentes facilmente perturbáveis com livros-cheios-de-períodos-parágrafos-capítulos-que-nada-têm-a-dizer. Um crime. Revoltado, andei pelo centro de compras apinhado de pequenos burgueses e seres dispostos a ir até às últimas conseqüências na milenar arte da pechincha. Também, pudera. O que se autoproclama liqüidação é tão-somente uma espécie de extorsão disfarçada. Ora, se a blusa da Rosa Chá está brilhando na vitrine com uma etiqueta que diz "Sale, only R$ 300" (na boa, em que country estamos, qual nossa língua pátria?), certamente, antes da promoção, ela tinha um preço de custo de R$ 100 e estava cotada a R$ 400. Sacou a manha mercantilista do negócio? Saquei. Sacamos todos, mas, mesmo assim, feito aleluias (aquele inseto que perde asas) e mariposas (outro inseto, este de vida efêmera) rodamos, seduzidos, em volta dessa luz, crentes que iremos levar vantagem. Tsc, tsc, tsc. Dei ré na porta da loja e, também, de tantas outras. Janeiro é mês de pagar contas, capitulei. E continuei meu périplo pelo "templo do consumismo" (muito embora, du-vi-de-ó-dó que a turma que se bandeia para o Fórum Mundial Social, em Porto Alegre, não goste de um sanduba ou, especialmente, de uma Coca-Cola gelada). E vi mocinhas dependuradas nas barras das saias das mães implorando-exigindo-ameaçando se matar se não ganhassem um mimo qualquer da novíssima loja da gatinha japonesa Hello Kitty. É da Sanrio?, perguntavam, exigindo o produto original. E lá iam as mães-heroínas, gastar horrores em meros lápis, canetas, bolsas, prota-camisinhas, cadernos, absorventes. Tudo com a cara da gatinha. Vítimas fáceis. Fugi da vizinhança daquela gata andrógina e me refugiei em uma das muitas salas de cinema do shopping. Putz, no escuro, sem placas de liqüidação, adolescentes barulhentos e vendedores fingindo simpatia, posso encontrar alguma calmaria no meio desse verdadeiro tsunami movido a cartões de crédito. Mas o que assistir, afinal? O cinemão de Elektra, o besteirol de Jack Chan, a fantasia de Desventuras em Série, a baitolice de Alexandre, o Grande, o pretenso charme de Doze Homens e um Segredo, o prejuízo de Eliana e seus golfinhos, o terrir rasteiro de O Filho de Chucky, a baboseira da mãe da Sasha. Necas de pitibiriba. Optei por um filme que parecia meio perdido, ali, no bom e velho shopping: Closer - Perto Demais. Belíssimo filme, em todos os sentidos. Uma escolha que, no frigir dos ovos, fez toda a minha angústia anterior valer a pena...

Depois, conto mais.

Segunda-feira, Janeiro 17, 2005

2005 vai ser do meu jeito...



Nos últimos 45 dias cansei de ver em filmes-revistas-jornais-bulas de remédios-propagandas de TV-eocaralhoaquatro milhares de juras de amor ao ano que chegou: esse 2005 que já tem 17 dias. Era gente dizendo que iria emagrecer, enriquecer, ligar pros pais, viajar, estudar para concurso, pensar mais nos amigos, procurar outro emprego, correr no parque, cuidar da saúde, ir para um spa, parar de fumar, procurar um novo amor, montar um blog, fazer trabalho voluntário, tornar-se vegetariano, andar de ônibus, curar a febre do consumismo, fazer o caminho de santiago de compostela, não atirar lixo na rua, andar na velocidade da via, não assistir ao Big Brother...

Enfim, prometeram mundos e fundos nas indefectíveis resoluções de Ano Novo. Também tenho as minhas, sou normal, puxa vida. E, por falar nelas, ei-las...

- Ir mais à praia... mas não esquecer o protetor solar com FPS 50...
- Ser mais gentil com os outros... mais ainda?
- Aprender a dirigir mais devagar... e, principalmente, conhecer a localização de cada pardal...
- Tomar banho de chuva... putz, gripo fácil!
- Fazer sexo pelo menos 21 vezes por semana... ai, caramba!
- Andar mais descalço... tudo bem, mas só dentro de casa.
- Descansar mais... ai, quem dera!
- Trabalhar menos... ai, quem dera!
- Acordar mais cedo... putz, 7h não tá bom?!
- Ir mais ao cinema... e ver filmes de arte?
- Ir mais ao teatro... ok, mas ver apenas comédias.
- Passar férias no sítio... só se for o do Pica-Pau Amarelo...
- Ler mais... além de gibis, revistas e jornais.
- Fazer dieta... só se for de "engorda"!
- Ter um filho... e dar a ele o nome de Freddy Charlson II!
- Lembrar do aniversário dos amigos... o Orkut faz isso por mim...
- Passear de barco... só com colete salva-vidas.
- Soltar pipa... não dá, meus dedos são sensíveis ao cerol.
- Mudar o guarda-roupa... de lugar?
- Ir para o trabalho de bicicleta... difícil, moro a 20 km do trampo.
- Perder barriga... na boa, amo meu tanquinho.
- Fazer um bom plano de saúde... não precisa nem ser tão bom assim...
- Experimentar dobradinha... não estou em campanha eleitoral.
- Organizar uma pescaria... só se for de sereias...
- Aprender a surfar... no cerrado?
- Ouvir discos antigos... não tenho radiola.
- Levar a vida menos a sério... isso é de lei.

Terça-feira, Janeiro 04, 2005

Balanço do finado 2004...




Bem, amigos do blog do Tialson, apesar de alguns deslizes, tropeções e quedas, consegui uma boa blindagem (para utilizar um termo da moda) e sobrevivi a 2004, mais um ano em que vivemos em perigo...

No balancê dos prós e contras, sobraram tiros e reclamações, beijos e afagos, gritos e sussurros, brigas e reconciliações. Foi bom? Foi. Poderia ter sido melhor? Poderia. Quem sabe esse ano, 2005, com 361 dias ainda à espera de nós não seja, enfim, bom o bastante? Oxalá.

Eis, pois, um balanço do bom e velho 2004. Um ano cheio de novidades.

- Tomei posse no Ministério da Educação, concursado.
- Larguei a vida de repórter no Jornal de Brasília. Virei redator de Cidades e de Esportes.
- Trabalhei muito e viajei pouco. Apenas nas fronteiras internas.
- Passei em História na UnB.
- Nasceu meu sétimo sobrinho, Pedro Henrique. Minha quinta sobrinha, Hanna, aprendeu a chamar meu nome (o que não é pouca coisa, não, convenhamos).
- Perdi, infelizmente, meu sogro, seu Sílvio. Grande figura que deixou saudades enormes.
- Comprei 2 carros. Dois Corsas. Um Hatch e um Sedan.
- Vendi meu Gol.
- Marquei muitos gols nas peladas.
- Voltei a estreitar os laços com minha mãe e minha família. Até viajei com ela no réveillon. Belezura.
- Passei a amar e ser amado ainda mais pela Dilminha.
- Comprei vários artigos de decoração para minha casa.
- Retomei boas e velhas amizades.
- Conquistei novas e imprescindíveis amizades.
- Fui padrinho do casamento de meu irmão, Handerson.
- Após muito refletir entrei na Justiça para conseguir o pagamento de uma dívida de R$ 8 mil. Claro, a Justiça é lenta e ainda não decidiu sobre o caso.
- Li muito mais do que nos anos anteriores.
- Parei de fazer poesias.
- Me viciei no Orkut.
- Viciei em colecionar imãs de geladeira com nomes de cidades, estados e países.
- Montei um blog (www.freddycharlson.blogspot.com)
- Perdi boa parte de minha memória. Por isso, melhor parar a retrospectiva por aqui...

Segunda-feira, Dezembro 13, 2004

Dança comigo, amor?



Sábado passado fui a mais um casamento. Tudo ia bem (igreja, homilia, recepção, festinha, reencontro de amigos) até o momento em que o Dê-Jota inventou de apertar o play de seu aparelho de MP3 onde, justamente, estava escrito "músicas dançantes". Pronto. Eu que mal me equilibro em pé e parado, fui obrigado a tomar conta da pista de dança do salão. Empunhando firmemente a minha mão direita, a senhora Dilma Patrícia estava animada. Pagode, forró, valsa, bolero, música lenta. O que aparecesse eu teria que dançar.

Em vão, eu olhava para os amigos sentados à mesa, com um pedido de súplica. Em vão, eu perguntava a Dilma: "Já está bom, né, neném? Vamos sentar?". Em vão. Louca por dança de salão, ela só queria mais e mais. E era um tal de dois pra lá e um pra cá, um pra lá e três pra cá, dois pra lá e quatro pra cá... Ao lado, como que cúmplices do meu suplício (não me entendam mal, adoro ficar abraçado com a Dilma - aliás, é, para mim, uma dos momentos mais prazerosos do mundo -, mas cada nova música dançante era como uma marcha a me levar rumo ao cadafalso), outros camaradas pagavam alguns pecados.

Enquanto isso, as moçoilas de todas as idades se refestelavam com a improvável seqüência de músicas escolhidas pelo DJ, recheada de "clássicos" do gênero, como Toto, Bonnie Tyler, John Denver, Roxette e Duran Duran, por exemplo. Felizmente, sobrevivi à dança no meio do salão. E, de quebra, aos comentários dos amigos que relutaram, relutaram e continuaram sentados, só curtindo o, digamos, espetáculo. Percebi, porém, mais uma vez, o quanto Dilminha gosta de dançar. Algo que eu, há algum tempo, também apreciava.

Resultado: passei o final de semana pensando no prazer que a dança e a música provocam em boa parte dos seres humanos. No domingo, resolvemos ir ao cinema, à noite. Combinamos, antes de chegar, assistir ao primeiro filme que fosse começar. E, adivinhem qual era? Claro, "Dança Comigo" (Shall we dance?), com o galã-cara-de-paisagem Richard Gere, a talentosíssima Susan Sarandon e a popozuda Jennifer Lopez.

Parecia um sinal. Dança no sábado, dança no domingo, dança em todos os dias. Meio que a contragosto mantive o trato. Ok, veremos Dança Comigo. O filme começou morno, no ritmo de Gere e de uma J.Lo deprimida, mas aos poucos, com a ajuda de coadjuvantes como Stanley Tucci e Ja Rule foi engrenando. Eliminei o olhar crítico, me entreguei ao refri e à pipoca e comecei a bater o pé ao ritmo de grandes standards do cancioneiro popular norte-americano, valsas vienenses, quick-step, cha cha cha, chick-to-chick, rumba (a dança do amor).

No final – feliz, of course –, dei um belo de sorriso e me felicitei por duas horas de bela companhia e de um passatempo divertido. Deu até a impressão de ao ter a produção como primeira sugestão na fila do cinema, eu ter cedido a um sinal, como o momento em que o entediado e corajoso personagem de Gere, que ao passar de trem pela enésima vez em frente à academia de dança de J.Lo, vê uma faixa com o escrito "Shall we dance, Mr. Clark?". Difícil resistir, pois não?

Quarta-feira, Dezembro 01, 2004

Espírito natalino...




Então (curto essa expressãozinha que parece estar cada vez na moda)...

Dia desses, fui bater perna no shopping com meu amor. Estávamos à toa, só conversando em casa, e resolvemos pegar um cineminha. No caminho, pensamos: "na boa, ainda é final de novembro, o 13º e nem o salário saíram e o lugar deve estar vazi, vazi".

Qual nada!

Parecia que todas as escolas e todas as crianças e todas as candidatas a paty e todas as tribos e todos os aposentados e todas as madames haviam resolvido raspar os respectivos cofrinhos e gastar tudo, ali, naquele grande playground do consumo. Só poderia.

Entre filas e esbarrões, finalmente conseguimos ver um filme. É, um filme besta, desses de shopping, desses que a gente mal sai da sala e já esquece do roteiro, um filme desses, para abstrair das coisas do mundo. As boas e as más. Que, afinal, cinema é diversão...

Ok, vimos o filme, sorrimos, saímos e enfrentamos a batalha pelo consumo. Nas vitrines, desenhos de renas e Papais Noel, faixas aludindo ao Natal no melhor estilo "compre baton, compre baton"...

Dentro das lojas, madames se estapeando por produtos em liquidação, mulheres segurando vários cabides para garantir a compra, crianças pedindo brinquedos maiores do que a condição sócio-financeira-econômica das vítimas, digo, dos pais. Comprar por comprar parecia ser (e é) a mola-mestra da abertura dos "Jogos de Natal".

Árvore, presépio, oração, manjedoura, estrela de Belém, Jesus?! Alguém viu, alguém vê?

Nem.

Piegas, romântico, demodée, religioso ou respeitoso demais para esse círculo que me cerca ou não, a verdade é que aquilo muito me incomodou. Como me sinto incomodado comigo mesmo myself and I ao me surpreender sendo vítima do vírus do consumo a cada Natal. E emplacando a compra de presentes para familiares e amigos, quando, o que importa, na verdade, é o respeito, o carinho e o amor pelos seres humanos, principalmente aqueles que nada têm. Pelo menos é o que deveria importar...

Hoje é 1º de dezembro, tempo ainda o suficiente para que façamos algo de bom por nossos semelhantes neste Natal. É só fazer um pequeno esforço e destinar uma parte do que temos para aqueles que nem conhecemos, mas que sabemos precisarem mais do que nós mesmos. E que esse espírito de ajuda, voluntariado e preocupação com os mais necessitados nos acompanhe durante todo o 2005 e, why not? pelo resto de nossas vidas.

Saí resoluto do shopping naquele dia. E pronto para me empenhar em arrecadação de donativos para creches ou para apadrinhar alguma criança que mandou carta aos Correios, por exemplo. Cartas endereçadas à casa de Papai Noel, à Rua da Felicidade, ao Pólo Norte, sei lá.

Não custa nada. Muito menos tentar.

Segunda-feira, Novembro 15, 2004

Uma vez Flamengo...




Até que ponto o torcedor, por mais apaixonado que ele seja (capaz de amar o time de coração mais do que a mulher, a amante, a mãe, os filhos, o trabalho, a si próprio) tem o direito de espancar um atleta do tal "time de coração" simplesmente porque o time deu vexame e ele considera, como se fosse um juiz, que o tal atleta não "deu o sangue" como ele, o torcedor-cheio-de-razão, acha que deveria fazer?

O período longo, cuja leitura não indicada para asmáticas, refere-se ao covarde ataque sofrido pelos jogadores do Mais Querido (o Flamengo, claro!) ao desembarcarem no Rio de Janeiro após a humilhante derrota sofrida pelo time, em Minas Gerais, diante do Atlético Mineiro. O 6 x 1 que fez o Urubu esconder a cabeça feito um avestruz é indigno das tradições da camisa Rubro-Negra. Mesmo assim, não é motivo suficiente para covardes que se julgam torcedores, fazer justiça com as próprias mãos.

Indignados com a falta de respeito, alguns atletas do time resolveram revidar. E o que se viu foi uma espécie de tragicomédia, uma verdadeira luta de tele-catch (é do tempo de vocês? não é do meu). Sofridos, jogadores do Mengo se defendiam. Sofredores, torcedores atacavam. E a verdadeira massa rubro-negra assistia, via satélite, impávida e consternada, um resumo da atual situação do time, feito aquele humorístico Balança, Mas Não Cai.

De qualquer forma, lugar de torcedor é na cadeira, na arquibancada, na geral, cantando, vibrando e apanhando do time. Quer reclamar? Reclame. Está insatisfeito? Desabafe. Quer mais raça? Grite, provoque. Mas agressão física não é de direito. Se assim fosse, agrediríamos o flanelinha que arranhou nosso carro, o motorista que nos deu uma fechada, o patrão que atrasou nosso salário, o cara que fez fiu-fiu pra nossa mulher, o vendedor que agiu de má-fé, todo e qualquer mané.

Calma, minha gente. Muita calma nessa hora...

Terça-feira, Outubro 26, 2004

Somos todos um bando de crianças



Os acontecimentos dos últimos dias, em várias partes do planeta, provam de uma vez por todas que a Humanidade ainda engatinha – no sentido infantil do termo – quando o que está em discussão, justamente, são assuntos de interesse globalizado. Senão, vejamos:

- A queda de Fidel

O ditador cubano, famoso pela revolução feita há quase 50 anos com o auxílio de Che, levou um tombo enquanto participava de um encontro cultural a mais de 200 quilômetros de Havana. El comandante, do alto de seus 78 anos, não percebeu um degrau travesso e sucumbiu em quatro atos. Espatifou-se na frente de seus comandados na ilha, quebrando o joelho e sofrendo uma fissura no braço esquerdo. Comoção geral em Cuba. Pouco acima no mapa, o porta-voz do governo Bush e vários políticos republicanos divulgaram declarações em que se negavam a desejar melhoras a Fidel. "O sofrimento dele é pouco perto do sofrimento que ele faz o povo cubano passar há décadas", disseram. O pensamento teve eco na Europa. A frase pode ser traduzida para "Viu, Fidel, essa queda foi castigo de Deus". Pena que, para eles, El Comandante não acredita no Todo Poderoso. É, o embargo está loooonge de acabar.

- A eleição nos EUA

Kerry diz que Bush é covarde porque o presidente não teria lutado na Guerra do Vietnã. Bush responde dizendo que Kerry tem memória fraca e que falta-lhe colhões, afinal, ele votou a favor da invasão do Iraque e hoje se diz contra a Guerra. No meio desse embate, o dublê de exterminador e governador da Califórnia, Arnold Schawzennegger confessa que ficou duas semanas sem fazer sexo com a mulher Maria Shriver, simplesmente porque a democrata ficou putinha por ele ter discursado a favor do republicano Bush. Aliás, essa história de sexo está na moda. Sempre. É que um grupo de "heróis" norte-americanos procura voluntários para transar com aqueles que, simplesmente, votarem na eleição. Se isso acontecesse no Brasil, iria faltar fraldas no mercado dentro de nove meses.

- O caso Herzog

Virou picuinha de ambas as partes. De um lado, parte da imprensa que divulgou três fotos que seriam do jornalista Vladimir Herzog, morto há 29 anos e um dia nas dependências do Doi-Codi, em São Paulo. Do outro, parte maior da imprensa que tenta provar por A + B que as fotos seriam de um padre canadense humilhado pelos órgãos de repressão militares, apoiadas em declaração da Abin e do secretário de Direitos Humanos, Nilmário Miranda. Aos poucos, as provas vão aparecendo. E, com elas, uma verdadeira birra. Um grupo apresenta, de repente, um vizinho da igreja em que o padre dava sermões dizendo que o reconheceu nas fotos. O outro grupo, por sua vez, sem perder tempo, mostra, em suas páginas, o porteiro de um restaurante que o jornalista costumava freqüentar, em Quixeramobim, dizendo que, sim, era ele, nas fotos. Com a freira, com o relógio, no estrado. Testemunhas se sucedem. Uma reconhece uma foto. Outra, nega as três fotos. Uma terceira acha que é. Outra, que não. Ô, briguinha de criança...

- A política brasileira

Poucas coisas combinam tanto quanto a política brasileira e a série "coisas de criança". O jantar do Lula com o PFL, por exemplo. Vai quem é convidado, como o provocador ACM. Quem não vai, se sacode. E fica putinho. E se acha traído, não é, seu Bornhausen? Outro exemplo? Os boatos espalhados pelo alucinado casal Garotinho em relação ao galã, Lindbergh. Coisas de crianças más, of course. Ou, então, a atitude-mais-quem-é-que-manda-do-ano, protagonizada pelo senhor Lula, em relação ao Exército, mandando os generais reescreverem a tal nota do Herzog (ele, de novo). Afinal, ora, quem é o dono da bola? E, para finalizar o exemplo, as brigas entre o rei das rinhas, Duda Mendonça, e o dono da Marta, o franco-argentino Luís Favre. Uma troca de farpas típicas de colegiais rivais, loucas pela atenção da eventual derrotada.

- O tal do Mainardi

Da camada de ozônio à crise do Flamengo; da violência no Rio ao paredón cubano; dos furacões nos EUA à seca do Nordeste; da fome na África às enchentes no Sudoeste Asiático; da invasão no Iraque à exploração sexual de meninas em barcos da Amazônia. Tudo, mas tudo mesmo que acontece no mundo, tudo de ruim, de atrasado, de matuto, de reprovável... é culpa do PT. Do PT e de Lula, Genoino, Dirceu, Gushiken, Mercadante, Marta e adjacentes. Pelo menos na mente inquieta, perturbada, irônica e raivosa do colunista da Veja, Diogo Mainardi. Se algumas críticas têm sua razão de ser, outras soam forçosamente gratuitas, popularescas, prontas para saciar a sede de seus habituais e vorazes leitores. Birra, birra deveras infantil.

E, assim, a cada nascer do sol, a lusitana roda. Roda e gira. E a gente vai percebendo que no micro ou no macro, o ser humano ainda não amadureceu, não evoluiu o suficiente para cuidar da sua própria vida e agir em nome do progresso. Ou, pelo menos, a não se sentir tão excluído quando não é lembrado para aquela festinha ou ida ao boteco. Ou quando não recebe um cartão de Natal. Ou quando não é chamado para a cerimônia, muito menos para ser o padrinho do casamento daquele amigo de infância. Nem por tudo isso é preciso dar piti, perder as estribeiras, agir como criança carente e abandonada. Ora. Crescer, em certas ocasiões e em relação a determinadas situações, é preciso. Principalmente, quando está em discussão a pobre saúde do globo terrestre.

Sexta-feira, Outubro 22, 2004

A ressurreição de Vlado...





Caramba... muito estranha a história das fotos do Vlado. É, o caro colega - ex-diretor da TV Cultura e encontrado enforcado em uma cela do Doi-Codi, no bairro Paraíso, em São Paulo, na manhã de 25 de outubro de 1975, há quase 29 anos - tem aparecido tanto na mídia três décadas depois de muerto que já podemos nos considerar íntimos desse ícone do jornalismo e da luta pelos direitos humanos.

Afinal de contas é ou não é o Vladimir Herzog nas fotografias divulgadas pela mídia desde domingo?

Os divulgadores dizem que é, sem sombra de dúvida. Para isso, contam com uma série de fortes argumentos que vão desde testemunhos do Firmino, cabo reformado e estressado, que vive em Goiânia (e ex-araponga das Forças Armadas) até a emocionante declaração da viúva do jornalista, Clarice, que o conhecia como ninguém e que não queria desenterrar a história de jeito maneira. E, principalmente, a semelhança física entre o personagem retratado na foto e o jornalista. Ah, e ainda deve ser levada em consideração o testemunho de Molina, o conceituado perito da Unicamp que afirma serem bem parecidos aspectos estéticos entre as fotografias de Vlado e seu alterego. Nariz, costeleta, detalhes da calvície...

Aqueles, porém, que afirmam que a foto não é de Herzog (companheiros de luta e perseguição, meios de comunicação, religiosos, agentes secretos do governo federal) listam uma série de incoerências nas três fotos divulgadas: o preso estaria, ao mesmo tempo, nu e com um baita relógio, quando a primeira preocupação de eventuais torturadores é tentar fazer o torturado perder a noção do tempo; o preso estaria com uma mulher, o que não fazia parte do modus operandi dos tais órgãos de inteligência; o preso teria mais ou menos pêlo no corpo...; o preso teria tirado fotos demais para uma câmara de repressão e tortura em nada parecida com uma Disney visitada por turistas japoneses...

Eis que, então, surge, do céu, mais uma explicação, que se pretende definitiva (pelo menos para o governo, Exército e Agência Brasileira de Inteligência), para o nebuloso caso: a foto que seria de Herzog, na verdade, retrataria um casal que teria sido vigiado de maneira ilegal no mesmo período, segundo investigação da Abin. Pelo menos foi isso o que foi divulgado ontem no início da noite, pelo secretário nacional dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda (ele mesmo preso durante o regime militar, ao lado do jornalista). Esperto, Nilmário terceirizou a informação na cota da Abin...

Contra-informação da Abin?
Verdade verdadeira?

E os tais personagens da citada foto seriam - aí entra a "investigação jornalística" que muitos profissionais chamam para si - o padre canandense Leopold D’Astous, ex- paróco da Igreja São José Operário, na Asa Norte, e a freira Terezinha Salles, coordenadora de grupos de jovens em Goiânia.

Ninguém, em sã consciência, imaginaria um roteiro tão cheio de reviravoltas. Afinal, contam as investigações jornalísticas que o padre teria sido capturado com a freira numa estrada e levado para Caldas Novas (GO), a estância termal, onde teria sido torturado e humilhado. Outros, porém, espalham que ele havia sido pego em flagrante transando com a mulher...

Bem, a questão é que a Abin pode simplesmente ter negado a veracidade das fotos para abafar o caso e colocar um band-aid sobre a ferida dos crimes cometidos contra a "pessoa humana" durante a ditadura. Ou, realmente, as fotos são do padre e da freira. Ele, um quase sósia de Herzog. Aí, parte da imprensa teria cometido uma imensa “barriga”, clichê para notícia quente que se revela sem fundamento, no frigir dos ovos.

De qualquer forma, a ferida foi aberta, mesmo à revelia do governo Lula, um histórico esquerdista (se bem que, no início do século 21 conceitos como "esquerda" e "direita", dizem alguns críticos, estão mais para estéticos que para ideológicos", vide a quantidade de acordos políticos em nome da pretensa "governabilidade"). Principalmente pela primeira nota divulgada pelo Exército - nota, aliás, que colocou por terra anos de tentativa de recuperação da imagem milica - que justifica as torturas e assassinatos praticados contra os opositores do regime militar. Uma gente que lutava por essa nobre e necessária instituição denominada democracia.

A divulgação das três fotos, porém, acabou mais do que reabrindo uma ferida no orgulho da Nação, ao criar uma crise entre a presidência da República e o próprio Comando-Maior do Exército. Tudo porque Lula exigiu, corretamente, uma nova nota à altura dos novos tempos. O que feito, mesmo que à revelia. "Erramos", disseram os homens de verde.

A verdade é que esta história ficará para a história por quebrar uma série de paradigmas e, certamente, ainda renderá muito pano para a manga. Seja na fila dos ônibus da Rodoviária do Plano Piloto, na Feira de Ceilândia, nos suntuosos jantares no Piantella ou no cafezim da Câmara dos Deputados. Ou, ainda, e principalmente, nas reuniões não mais clandestinas de pessoas que sofreram 21 anos (1964 a 1985) nas mãos da ditadura. O que não foi mole, aliás.

Na boa: que tal todo mundo deixar Vlado descansar em paz?

Quinta-feira, Setembro 30, 2004

Calouro!!!!



Pois é, pessoas, estou de volta à UnB, depois de quase uma década. Para não estressar tanto peguei apenas três cadeiras, o equivalente a 12 créditos. Ou seja, o mínimo possível ... que meu dia só tem 24 horas!

Como sou um cara eclético, faço uma disciplina da Antropologia, uma da História e outra da Comunicação (é, só pra matar a saudade).

O prof da Antro é uruguaio e fala mal e porcamente o portunhol de fronteira. Nessa, o cara já tá viajando com Roberto da Matta, Roque Laraya e Claude Lévy-Strauss. Hoje, aprendi sobre sincronia e diacronia e a utilizar um olhar de observador na sociedade contemporânea sem, claro, me furtar a participar dos rituais sociais. Coisas.

Na História, a teacher nos oferece um análise nova a partir das causas e conseqüências dos atos que formaram a Humanidade. Nada de decorar nomes e datas. Mas o porquê e o pra quê.

Na Comunicação, a idéia é dar voz, nesse mundo egoísta e globalizado, a comunidades carentes. Levantar bandeira e ajudar o povo a encontrar a própria identidade e a se tornar um cidadão. Já tô pensando no Prêmio Nobel da Paz.

É isso. No mais, vida de calouro, corredores lotados, filas para tirar xerox, carteirinha estudantil (o que significa meia-entrada) no bolso e o tal "ar universitário".

Bacana.

Quarta-feira, Setembro 22, 2004

UnB, a mesma de sempre...




Certas coisas não mudam, nem mesmo com o alinhamento dos planetas...

Tipo o sabor do Trio Viçosa.
A beleza do pôr-do-sol de Brasília.
A secura da fonte da Torre de TV.
O Botafogo na zona de rebaixamento do Brasileiro.
O apelo popular das novelas.
As brigas de gangue em Planaltina.
O quibe do Beirute.
A luta diária pelo lead perfeito.
O rame-rame da política nacional.
O amor do povo brasileiro pelo Mengão.
A mania de chocar de Alexandre Frota, Garotinho, Rita Cadillac, Zé do Caixão, Britney.
A eterna dúvida com o porque, porquê, por que, por quê.
injustiça social.
O amor no coração do poeta
As árvores tortas do cerrado, os ipês amarelos do cerrado, o céu azul sem fim do cerrado.
O zumzumzum da Rodô na hora do rush.
O amor pelo esporte em tempo de Olimpíadas.
O amor pelo futebol a cada dia.
A luta pelo pão nosso de cada dia.
O desejo de expor o que se pensa.
O sonho de um casamento feliz.
O sonho de encontrar o ser amado.
A vontade de sonhar.
A tentativa de escapar dos pardais.
A beleza do canto das árvores.
As músicas ruins no rádio.
A luta por matrículas em disciplinas da UnB.

E é justamente por isso, ao relatar coisas e situações imutáveis, que lembrei de colocar a UnB nesse balaio de gatos. Afinal, dez anos depois de abandonar o cursos de Letras - Literatura, encarei, nos últimos dias, a hercúlea missão de me matricular na universidade. Desta feita, em História.

Pois bem, me ofereceram, na pré-matrícula, duas disciplinas (Introdução ao Estudo da História e História Antiga I). É bom lembrar que já entro no curso com 40% feitos, graças aos créditos aproveitados da época de Jornalismo na FAC/UnB. Uma senhora vantagem que me fez escapar de várias Introdução a Alguma Coisa. De qualquer forma, recusei-as. Os horários sugeridos foram aqueles típicos da UnB. Uma displicina das 10h às 12h (terça e quinta) e outra das 16h às 18h (quarta e sexta). Crazies.

No final, pedi 10 disciplinas, na matrícula, para ver se conseguia pelo menos 3. Pois bem, consegui só uma. E fui tentar o reajuste. Não havia vaga em nenhuma. Isso mesmo, nenhuma. As negativas dos coordenadores de curso vieram com as desculpas de sempre. Sucateamento da universidade, falta de recursos humanos, blablablá.

Eis que passei um dia a vagar nos corredores do Minhocão, assinando meu nome em listas de espera, pedindo prioridade, ligando para professor. Vamos ver o que vai sair dessa via-crúcis. Sexta-feira sai o resultado. Bem, segundo a coordenadora do meu curso, eu sou obrigado a fazer 3 disciplinas. Quero ver como vai ficar. Para não ficar de mãos abanando, liguei para um professor da FAC e pedi para ele garantir uma vaga para mim...

Por que será que algumas coisas não mudam?

Quinta-feira, Setembro 16, 2004

Três filmes no cinema

Ok, confesso, mal voltei à UnB (lembrem-se, passei em História no último vestiba), já usufruo das benesses da vida acadêmica. É, já estou pagando meia entrada nos cinemas da cidade e isso ainda com o protocolo da carteirinha estudantil comprado a módicos cinco mangos. (E ainda nem confirmei minha pré-matrícula, o que devo fazer até amanhã segundo o atrasado calendário acadêmico...)

Assim, assisti a três filmes nos últimos dias: "Colateral" (Tom Cruise no papel de matador-mala profissional), "Cazuza" (mala total) e "A Vila" (de M. Night Shymalan). Vamos aos comentários, pois...



"Colateral": A premissa é até interessante, afinal não é todo dia que o top gun baixinho, ex-marido da diva Nicole Kidman, é posto como vilão (matador de aluguel, que fique claro) em um produto cultural do gênero. Os diálogos e o jogo de gato-e-rato com o taxista incumbido-obrigado de levar Mr. Cruise a suas vítimas até que são interessantes, mas... Bem, mas o filme é só isso. Carece de ação e muito mais tensão (a direção é presa, econômica, simplória), justamente o que deveria sobrar em um típico blockbuster.
Meia entrada foi muito. Deveria ter pago um quarto de entrada.



Cazuza: Na boa, a tal da Lucinha Araújo realmente merece ser, no mínimo, beatificada. Afinal, agüentar um moleque mimado, drogado e dado a orgias e desrespeito perante seus pares não é para qualquer uma. Não, não estou sendo careta, repressor, representante da TFP, radical ou coisa do gênero. Mas, tirando a parte da poesia (e assumo: Cazuza era um poeta como poucos, entendia e muito das atrocidades cometidas contra o coração humano), o que se tem é um desserviço àqueles que cultuam ou querem cultuar essa figura pop vitaminada no Rio durante os anos 80 e 90. Sim, sobrava atitude, mas faltava respeito com a própria vida humana (a dos outros e, principalmente, a própria). O filme, em si, é uma espécie de videoclipe gigante, com edição elétrica, rápida e rasteira, como se pretendesse dar um travelling geral na vida e obra do autor. O legal é que quem, como eu, viveu a apregoada Geração Coca-Cola, pode reconhecer figuras como Frejat (a mão de ferro do Barão Vermelho) e Bebel Gilberto (louca por coca - da branca - vivida por uma de minhas musas, Leandra Leal). Mas, a despeito dos problemas, palmas para Daniel Oliveira, o rapaz que topou fazer o mito. Belíssima interpretação. Belíssima.
Ok, a meia entrada foi justa.



"A Vila": M. Night Shyamalan (esse aí de cima, que mais parece um mr. Bean bronzeado) é dos poucos diretores hoje em dia a quem podemos chamar de "autoral". Dono de um estilo próprio, mesmo que mamado, em boa parte, nas tetas do mestre Hitchcock (a quem, aliás, copia até mesmo na estratégia de fazer figuração em seus próprios filmes), o diretor indiano é capaz de provocar climas e fazer suspense como pouquíssimos na história do cinema. Desde "O Sexto Sentido" (quando manipulou os espectadores no filme em que Haley Joel Osment via "dead people"), passando por "Corpo Fechado" (mistura de filme de suspense e super-herói) a "Sinais" (obra de tensão sobre culpa, mistério e extraterrestres). Eis que, enfim, chega "A Vila", uma obra que fala sobre repressão, uso do medo-ideologia-poder sobre a ignorância para dominar a massa, além da utilização de uma certa preocupação com o erro (transformado em manipulação religiosa) em busca da própria redenção. Assim, vemos os moradores de um vilarejo, em pleno século XIX, viverem sua vidinha medíocre tendo como sombra um bosque que os separa da "civilização", simplesmente porque o tal lugar abrigaria "criaturas de quem não se pode falar", numa clara citação a H.G.Wells. O fato dos moradores mais velhos dominarem os jovens "rebeldes" só é quebrado por alguém que não pode ver. E que será a chave para todo o mistério que, enfim, termina à maneira Shyamalan: rápida e surpreendentemente. O que nos faz pensar: "Caramba, então era isso, putz?!". Um filme que não desagrada aos fãs, além de criar ainda mais celeuma a ponto de reerguer a carreira desse mestre moderno do suspense. Só não conto mais porque o cineasta pediu que evitássemos comentar o final do filme. Sim, respeito o camagada.
Meia entrada muitíssimo bem paga.

That´s all, folks!

Quarta-feira, Setembro 08, 2004

Casório, ano III



Pois é, gente amiga. Hoje, exatamente, hoje, eu e Dilma Patrícia (a Dilma, a Dilminha, a Dilmitias) completamos três anos de casamento. São 1095 dias de compromisso firmado (sabe aquela parada de viver juntos, felizes e contentes "até que a morte os separe"?), muito carinho, respeito e amor.

Aliás, deve haver muito carinho, respeito e amor. Afinal, dividir um lar, uma cama, a poltrona preferida, um controle remoto não é para qualquer aventureiro, não! Não, senhor, não é mesmo! Por isso, me felicito, afinal, acreditem, eu demorei a acreditar que seria capaz de me unir para sempre (enquanto houver amor, e eu espero que exista para sempre) com outra pessoa. Logo eu, tão carente, tão amigo, tão dado a outras mulheres. Logo eu, tão volúvel, inconsistente, imaturo até, eternamente apaixonado.

Mas parece que consegui. É, consegui. E vivo muitíssimo feliz com alguém que me ama, que me compreende, que me ajuda, que me ajuda a ser melhor a cada nascer do Sol. Com alguém que é capaz de fazer tudo por mim, que me instrui, que me dá broncas quando necessário, que é tudo para mim. Muitos de vocês que, por ventura, lerem este desabafo, estiveram presentes na noite do "SIM", em 8 de setembro de 2001, um sábado, na Igreja Nossa Senhora da Esperança, na 307/308 Norte. E, depois, na festança, no Clube dos Previdenciários (712/912 Sul).

Foram, portanto, testemunhas do meu amor e do nosso compromisso. Em 3 anos, passamos por muitos momentos felizes, algumas briguinhas (of course, we did), várias viagens, incontáveis momentos de paixão. Um tempo em que aprendi a me descobrir um pouco mais e a valorizar esse sentimento chamado simplesmente "amor". Sim, Dilminha é tudo aquilo o que realmente pedi a Deus. E muito mais. Por isso, abro aqui meu coração a vocês e digo que amar, descobrir o amor, descobrir o amor e ser correspondido vale muito a pena. Não tenham medo de, sei lá, juntar os trapos, casar no civil, fazer uma cerimônia religiosa, morar juntos.

Não deu certo? Babau! Deu certo? Invista na relação. A minha ainda está rendendo muitos dividendos. E garanto: não há coisa melhor do que o casamento. Mesmo naqueles dias em que você quer ficar sozinho, aventurar-se, trocar os pés pelas mãos, cometer sandices, viajar na maionese. Não, apesar deles, não há nada melhor do que o casamento. E digo isso sem temer ser acusado de "antigão", "demodée", "ultrapassado".

Dicas para um casamento feliz? Por favor, nos procurem (sem falsa modéstia). Eu e Dilminha estamos à disposição. Te amo, meu amor.

Ah, acabei de lembrar: a Dilma disse que completamos bodas de algodão. É, algodão doce. Bom para se lambuzar. Ad infinitum. Ainda mais, no ano que vem, quando ou Maria Luísa ou Freddy Charlson II chegará ao mundo...


Quinta-feira, Setembro 02, 2004

Sobre espinhas e literatura




Chatos, marcados por espinhas, inquietos, perturbadores, modistas, consumistas, um pé no saco. Adolescentes são recheados, diariamente, por conceitos, e, principalmente, preconceitos. Quem foi um, certamente sofreu isso na pele. Pior ainda quando andam juntos, barulhentos, em verdadeiras hordas como que a destruir o que encontram pela frente.

A visão (para os mais chatos, "do inferno") tornou-se lugar comum entre os corredores da XXIII Feira do Livro, ali, em um shopping na entrada da W3 Sul, o Pátio Brasil.

Ao contrário, porém, do que possam pensar os críticos, os aborrecentes não querem aborrecer ninguém (pelo menos na feira, que fique claro!). Nem comprar o tênis, a saia, a mochila, o energético da moda. Mas, sim, consumir cultura. É, cultura travestida na forma de livros. Livros de literatura, de pesquisa, de poesia, de referência, de viagens. Livro é a maior viagem.

Assim, os adolescentes (e também as crianças, e também os adultos) tumultuam os corredores da feira, empilham-se nos estandes, perturbam os vendedores, pechincham, perguntam quem é tal autor, de onde surgiu a idéia da criação de tal obra, quanto custa (o mais importante, não é mesmo?) tal livro.

E nesse vaivém, colorem um lugar conhecido como ilha do consumo. Colorem e esvaziam. Afinal, para quê olhar vitrines se os livros estão ali, ao alcance da mão, prontos para serem devorados com os olhos, a alma, o coração. E é justamente isso o que fazem os adolescentes. Feito hordas (sim, já me referi a esse termo) eles destróem os preconceitos e atacam tudo o que vêem à sua frente. Tudo em nome da cultura.

Abram alas para essa turma. Deixem eles sonharem. Navegar nessa onda, aliás, é preciso. Pena que a feira, o tempo, o money não durem o tempo da nossa vida. Pena pra que te quero.

Quinta-feira, Agosto 26, 2004

Complexo de vira-lata...



Começo a escrever agora, no limite da tensão e do inconformismo. Até quando seremos derrotados pelo nosso complexo de vira-lata? Até quando sucumbiremos à pressão e, mesmo com ampla-geral-e-irrestrita condições nos jogaremos de braços e peitos abertos às valas reservadas aos comuns, àqueles sem raça e pedigreee, como perfeitos vira-latas?

Falo isso depois da derrota da Seleção Brasileira de Vôlei Feminino diante das grandonas da Rússia, na semifinal das Olimpíadas de Atenas. Ganhamos os dois primeiros sets, fácil. Perdemos o terceiro. No quarto, tivemos cinco - é, eu escrevi cinco - match points (pontos para acabar com o jogo e a raça delas). Desperdiçamos, fomos abatidos por nosso próprio complexo de vira-lata, por nossa incapacidade de banhar nos mares dos vitoriosos, por nossa falta de empatia com os "deuses" que regem o esporte. No tal do tie-break, tivemos mais um match point quando estava 14 x 13. E acabamos perdendo por 16 x 14. As russas, sim, mostraram raça e gana de vencer. A vontade delas foi superior à "ginga" (não agüento mais ouvir esse clichê) e à técnica brazuca.

Enfim, somente são lembrados os vitoriosos. E porque não somos vitoriosos (ok, uma minoria de nós o é), porque comemos barro com farinha, porque não aprendemos a ler, a lutar por nossos direitos, a nos rebelar com as injustiças, a destronar o preconceito, as diferenças, a impossibilidade. Feito o iatista de windsurf (o Bimba) que só precisava chegar em 15º para subir ao pódio e que acabou, laconicamente, estacionando a prancha na 17ª posição, ontem, o vôlei feminino voltou a tremer.

Um psicólogo não resolveria, como também não resolveria um balde de água benta, um passe de alguém metido a pai-de-santo, ou palestras do Lair Ribeiro e do Dunga. Nada disso.

A falha que atormenta a maioria de nós na decisiva Hora Agá é histórica, caramba, histórica. Acabo de me lembrar, por exemplo, que o mesmo vôlei feminino ganhou o bronze nas últimas duas Olimpíadas (Atlanta-1996) e Sydney-2000), após, justamente, perder na semifinal para as cubanas. Claro que do outro lado da quadra existem outras seis jogadoras talentosas.

Claro que é verdade, como é verdade e crível que o exemplo da derrota de um esporte pode muito bem ser aplicado à condição e posição de toda uma sociedade que ainda não aprendeu a vencer. Algo que merece há muito, muito tempo.

Quinta-feira, Agosto 19, 2004

O país do "quase"



Infelizmente, assumo: somos o país do QUASE.

- quase somos desenvolvidos
- quase acabamos com a inflação
- quase temos o respeito do mundo
- quase dominamos a amazônia
- quase melhoramos nosso IDH
- quase fomos pras Olimpíadas no futebol
- quase erradicamos o analfabetismo
- quase temos justiça social
- quase não exploramos nossas crianças
- quase ganhamos medalha com a edinanci, o carlos honorato, o baloubet du rouet, o thiago pereira, a joanna maranhão...
- quase nos matamos de tanto rir-sofrer-chorar-sentir
- quase não temos violência
- quase respeitamos os negros
- as crianças
- os idosos
- os deficientes
- as mulheres
- os índios
- os que não respeitam nossas opiniões
- quase conseguimos atravessar a fronteira méxico-eua pelo deserto do arizona
- quase chegamos lá
- quase morremos para chegar lá
- quase não temos motivos para festejar
- quase somos famosos
- quase somos celebridades
- quase não temos nada no cérebro
- quase não temos comida para a boca de tanta gente
- quase regulam nossa liberdade
- quase regulam nossa liberdade de imprensa
- quase não há cinemas no interior
- quase não há saúde no interior
- quase não há interior
- quase ganhamos na Fórmula 1
- quase ganhamos na mega-sena
- quase ganhamos algo mais que experiência
- quase temos intelectuais
- quase sonhamo em sê-lo
- quase acabamos com o tráfico de drogas
- quase acabamos com o tráfico de órgãos
- quase acabamos com o tráfico de influência
- quase temos dinheiro para investir na educação
- quase temos educação
- quase
- quase esquecemos, enfim, com tantos problemas, de nos assumir como Nação

Segunda-feira, Agosto 16, 2004

Liberdade, Igualdade, Fraternidade!!!




Pronto, quatro anos depois de Sydney-2000 (terra de meu amigo Felipe Coala Campbell) eis que vivemos dias de mais uma Olimpíada. Poucas coisas nesse mundo (além da fome, do amor, do sexo, da guerra) unem mais os seres humanos em favor de uma causa, como o esporte. São 202 nações (incluindo aí as dualidades Palestina x Israel, Coréia do Sul x Coréia do Norte, Estados Unidos x Afeganistão/Iraque/Vietnã/Cuba/uma penca de outros países) se esforçando para superar os próprios limites. A Olimpíada é um momento de congraçamento universal, uma espécie de globalização às avessas no sentido de que (quase) todos os povos se encontram em sentido de igualdade, muito embora saibamos que o buraco é mais embaixo. Impossível não se emocionar, porém, com a abertura dos jogos, com o desfile das delegações, com a aula de história da cultura helênica proporcionada pelos gregos. Simplicidade, singeleza e beleza ao mesmo tempo. Embasbacado, o público nas arquibancadas louvou a presença de grupos como Iraque, Afeganistão, Coréias, Austrália e Brasil. A delegação brasileira, aliás, desfilou simpatia e otimismo, embora – escrevo isso no final do terceiro dia de competição, só tenhamos até agora uma medalha de bronze, conquistada no judô por Leandro Guilheiro – tenha pouquíssimas condições de dar trabalho e encher o baú de ouro. Mas o que vale (no frigir dos ovos, patrocinadores) é ver a tocha passando de mão em mão, de cidade em cidade, de continente em continente, até acender a pira olímpica em Atenas, berço dos Jogos. Não há sentimento melhor que traduza o espírito de liberdade, igualdade e fraternidade criado pelos franceses e, que, infelizmente, anda meio esquecido nesse mundo cada vez mais egoísta. Tão egoísta que me faz trabalhar em vez de me deixar assistir às disputas de tiro ao alvo, arco-e-flecha, vela, esgrima, pentatlo moderno e remo, por exemplo. Olimpíadas, afinal, também é isso. É assistir esportes que a gente só escuta falar de quatro em quatro anos. Feito o espírito olímpico, eles também teimam em morrer, oras. Fé, Brasil!